N E W S
23 de novembro de 2009
Sida e sexualidade feminina no centro do Fórum Sexo, Género e Saúde XXI
Em parceria com a Lambda – Associação pela Defesa das Minorias Sexuais, Fundo das Nações Unidas para a População e Pathfinder International, o concurso pretende estimular a reflexão acadêmica sobre o tema, além de propiciar evidências que possam informar as actuais e futuras estratégias de prevenção do HIV voltadas aos homens que fazem sexo com homens em Moçambique.
Para mais informações, acesse o edital do concurso aqui.
A data limite para submissão de candidaturas é 04 de Dezembro do corrente ano.
Fonte: CRIASnotícias
Lusófonos africanos discutem em Maputo saúde do adolescente e do jovem
O seminário, que termina nesta sexta-feira, 20 de Novembro, foi motivado pelo facto deste grupo – que representam um terço da população africana – ser o que mais contribue para o índice elevado da mortalidade materna, em 30 por cento.
Ademais, 65 por cento dos novos casos de infecção pelo HIV ocorrem também entre os adolescentes e jovens em África, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A ideia é que os representantes destes países discutam e entrem em consenso para um plano de acção conjunto no assunto.
Para tal, estão em análise questões como a recolha de informações estratégicas acerca da saúde do jovem, a melhoria das políticas regentes para este grupo, e o fortalecimento da coordenação e colaboração com outros serviços que atendem os jovens.
Nas apresentações de Moçambique, destaca-se a experiência obtida nos Serviços Amigos dos adolescentes e Jovens (SAAJ), informou a representante do Ministério da Saúde e uma das organizadoras do evento, Natércia Matule.
Além do Ministério da Saúde, o seminário recebe apoio para a sua realização da OMS, do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Pathfinder Internacional.
André Manhice/Agência de Notícias de Resposta ao Sida – 18.11.2009
Fonte: CRIASnotícias
Assim como o presidente da África do Sul, Guebuza deveria vir a público fazer o teste de HIV para servir de exemplo, sugerem activistas
“Esta medida tomada pelo Governo sul-africano é um bom exemplo que devia ser seguido pelo nosso Governo”, disse o Coordenador Nacional do Movimento de Acesso ao Tratamento em Moçambique, César Mufanequiço.
Para ele, a Sida é vista pela população como uma doença de pobres, mas se o presidente vier a público fazer o teste, essa percepção, por parte da população, será desmitificada.
“As participações políticas não deviam ser apenas nos discursos, mas também em acções concretas como esta”, comentou Mufanequiço.
Joshua Mulondo, da Rede Moçambicana de Organizações contra a SIDA, a MONASO, acredita que o país está a precisar de uma atitude encorajadora como a de Zuma.
“Quem sabe a partir disso as pessoas mudam de comportamento. É necessário que os nossos governantes tomem posição semelhante”, disse.
O representante da Rede Cristã de Moçambique, Octávio Mabunda, defendeu a ideia de Guebuza vir a público fazer o teste de HIV, mas ressaltou que “isso sirva para sensibilizar a sociedade e não apenas para adquirir popularidade.”
O assunto ganhou notoriedade internacional no dia 15 do corrente mês com a publicação de uma reportagem do jornal canadiano Globe and Mail.
De acordo com o texto do jornalista Geoffrey York, que ressalta que o assunto já é destaque na comunicação social sul-africana, a ambiciosa campanha vai envolver médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde que indicarão o teste a todos os pacientes, e as celebridades exortarão a importância da testagem.
“Esta será uma campanha de mobilização massiva”, disse Zuma ao jornal. “Todos os sul-africanos precisam saber o seu estado de seropositividade e ser informados sobre as opções que têm de tratamento”, acrescentou.
As relações históricas entre Moçambique e África do Sul que vão desde o apoio da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) contra o apartheid no país vizinho, passando pelo casamento de Graça Machel com Nelson Mandela, pode agora ter um capítulo importante na luta contra o estigma, caso os presidentes dos dois países venham, realmente, a fazer o teste em público.
Para o Dia Mundial de Combate ao Sida deste ano, Moçambique prepara-se justamente para focar na importância do teste de HIV.
No 1º de Dezembro de 2007, quando o assunto foi o mesmo, Guebuza esteve na Cerimónia Central, onde estavam presente várias unidades de aconselhamento e testagem, mas não fez o teste.
Será desta vez?
Os activistas pela luta contra o HIV e Sida em Moçambique pedem que sim.
Antónia Chagua/Agência de Notícias de Resposta ao Sida – 18.11.2009
Fonte: CRIASnotícias
16 de novembro de 2009
Moçambique: Sociedade Civil divulga manifesto entregue ao CNCS com recomendações para o PEN III
Os realizadores do manifesto levaram em conta os principais factores para a propagação da epidemia no país, como as parcerias múltiplas e concomitantes, baixos índices de circuncisão masculina e do uso do preservativo, grandes mobilidades e migrações, desigualdades de género e estigma.
Eles também utilizaram como base alguns compromissos internacionais assumidos por Moçambique, como a Declaração de Compromisso sobre o HIV e SIDA, o UNGASS (2001); a Declaração de Abuja (2001) que aponta alternativas concretas para os Governo africanos face ao HIV; e a Declaração de Gaberone sobre o acesso Universal à Prevenção, Tratamento, Cuidados e Apoios.
O Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Sida (ONUSIDA) apoiou tecnicamente na elaboração desse manifesto, promovendo workshops de formação nos seguintes temas: Conheça a epidemia – Conheça a Resposta; Advocacia e Lobby para a Integração do Género no PEN III; Participação em advocacia na elaboração do PEN III; e Manifestos.
A Coordenadora da Agenda para o envolvimento da Sociedade Civil na elaboração do PEN III, Ana Amorim, disse que “a ideia é garantir que o manifesto seja de conhecimento de todos.”
Quando o documento foi entregue ao CNCS, no dia 26 de Novembro, o representante da Sociedade Civil Rui Maquene ressaltou que se trata de um “reflexo dos conhecimentos técnicos do dia-a-dia no combate do HIV e da Sida.”
Linda Chongo, também representante da Sociedade Civil, disse que o manifesto deve ser levado em conta, não só pelo esforço empreendido, mas pelo impacto que terá nas pessoas infectadas e afectadas pela Sida.
Para uma população de aproximadamente 21 milhões, Moçambique regista cerca de 1.6 milhão de pessoas vivendo com HIV e Sida.
O manifesto é acompanhado por outros documentos de redes e organizações que tratam de assuntos mais específicas na resposta da epidemia, nomeadamente a questão da deficiência, das minorias sexuais e da terceira idade.
Confira abaixo quais foram as recomendações específicas da Sociedade Civil nas três áreas-chave: Prevenção; Tratamento e Cuidados; e Mitigação.
Prevenção
a) Estimular acções que tenham em conta as dinâmicas de género e a vulnerabilidade nas comunidades, as relações inter-gerações e as parcerias múltiplas e concomitantes, envolvendo a sociedade civil e utilizando abordagens culturais adequadas;
b) Fortalecer as campanhas de sensibilização contra práticas culturais de alto risco de infecção de HIV;
c) Mobilisar todos os intervenientes para adopção de mensagens corretas e adequadas sobre prevenção de HIV;
d) Garantir o acesso aos serviços de prevenção, cuidados e tratamento do HIV e SIDA como Direito Humano e aspecto transversal;
e) Promover acções para maior envolvimento dos homens na resposta particularmente na Prevenção da Transmissão Vertical;
f) Promover a integração da perspectiva de género no processo de planificação: para garantir o respeito pelos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e protecção contra o casamento precoce, pedofilia e o abuso de menores;
g) Promover uma maior distribuição do preservativo feminino e outros métodos de prevenção para as mulheres;
h) Fortalecer os mecanismos de coordenação entre a sociedade civil e o CNCS;
i) Promover e estimular parcerias entre instituições de investigação, cientistas sociais e sociedade civil;
j) Incentivar programas de pesquisa operacional (a título de exemplo, estudos que ajudam a perceber e indicam alternativas para criação de mensagens com linguagem apropriada para pessoas com deficiência visual, auditiva e outros, linguagem apropriada para crianças, idosos, entre outros) como forma de orientar as acções de resposta baseadas nas evidências;
k) Garantir a produção e disseminação de material de Informação, Educação e Comunicação inclusivo e direccionado tendo em conta as especificidades de cada segmento social e áreas geográficas. (ex. pessoas com deficiência, minorias sexuais, idosos, pessoas que não sabem ler e nem escrever “iletrados”, para zonas rurais e urbanas);
l) Assegurar a descentralização financeira até ao distrito e rever os mecanismos de financiamento (para contornar a demora e complexidade dos processos de desembolso, bem como de aprovação de projectos prioritários);
m) Garantir uma efectiva coordenação entre o Ministério da Sáude, Instituto Nacional de Estatistíca e CNCS na recolha e análise de dados, monitoria e avaliação;
Tratamento
a) Garantir a criação de uma base de dados desagregada por idade e género, consistente e actualizada sobre Pessoas em TARV que permitirá uma fácil localização de casos perdidos, abandonos, e monitoria e avaliação;
b) Promover o acesso universal, literacia sobre o tratamento e maior referência aos grupos de apoio psico-social;
c) Introduzir unidades móveis para o tratamento anti-retroviral: o que permitirá o acesso de mais pacientes ao tratamento e a redução de abandonos e casos perdidos;
d) Promover o seguimento rigoroso ao protocolo da OMS quanto a testagem do HIV: teste de CD4 de 3 em 3 meses e teste de carga viral de 6 em 6 meses. No sentido de evitarem-se efeitos colaterais (intoxicação e overdose de pacientes por tomarem muitas vezes os antiretrovirais por longos períodos sem análises periódicas);
e) Promover a formação intensiva do pessoal médico e paramédicos para tratamento do SIDA e;
f) Garantir a existência de um código de conduta ética para o pessoal de saúde visando a protecção da privacidade e dos direitos das pessoas vivendo com o HIV;
Cuidados
g) Reforçar a coordenação entre Unidades Sanitárias e os actores da Sociedade Civil na Busca activa das PVHS em TARV para evitar desistências;
h) Garantir a provisão de kits para os cuidados domiciliários e reforçar a protecção, aos provedores de serviços de assistência do HIV e SIDA;
i) Garantir a continuidade da provisão de serviços as PVHS em TARV em situações de emergência;
j) Promover acções de monitoria da distribuição mensal da cesta básica às PVHS;
k) Promover o envolvimento dos homens nos programas de cuidados domiciliários.
Mitigação
a) Fortificar os programas de redução de vulnerabilidade para grupos vulneráveis como crianças órfãs, mulheres, idosos, pessoas com deficiência, trabalhadores de sexo, minorias sexuais, jovens, PVHS;
b) Promover e garantir educação nutricional e actividades de geração de renda para pessoas vivendo com HIV;
c) Promover a capacitação dos Midias (comunicação radiofónica, televisiva e escrita) sobre o HIV e SIDA de modo que estes possam dar seu contributo em acções efectivas de mitigação das consequências tendo como premissas: Valorização das línguas nacionais e do contexto em que as questões são abordadas; Elaboração de mensagens inclusivas na abordagem de HIV e SIDA no âmbito de mitigação das consequências; Redução das barreiras linguísticas que podem distorcer as mensagens difundidas ao grupo alvo;
d) Estender os serviços de aconselhamento, educação, atendimento e apoio psicossocial à família e comunidade: incluindo questões da terceira idade bem como o envolvimento dos homens na provisão de cuidados.
Agência de Notícias de Resposta ao SIDA – 16.11.2009
Fonte CRIASnotícias
13 de junho de 2009
Moçambique: Governo lança programa de emergência para sida
O novo plano de emergência de combate ao HIV/Sida, doença que atinge 16 por cento da população de Moçambique com idades entre os 15 e 49 anos, visa apurar as causas dos elevados índices de contaminação nessa região moçambicana, a mais atingida no país, com 21 por cento.
A informação foi dada a conhecer quinta-feira aos jornalistas pela primeira-ministra moçambicana, Luísa Diogo, também presidente do Conselho Nacional de Combate ao Sida de Moçambique.
Luísa Diogo, que descreveu a situação como “alarmante”, indicou que os dados governamentais apontam para uma evolução de infecção nos próximos tempos na zona sul, daí a necessidade de se estabelecer um novo plano para «provocar uma mudança de comportamento de forma imediata na população», sobretudo a jovem.
As projecções do Governo moçambicano dão conta de que, a curto prazo, a cidade de Maputo, cuja taxa de infecção está estimada em 23 por cento, deverá chegar aos 29 por cento, enquanto a província de Maputo, com 26 por cento, poderá subir até 34 por cento.
A capital moçambicana regista diariamente 500 novas infecções.
A província de Gaza, também no sul de Moçambique, tem uma taxa de infecção por HIV de 27 por cento, percentagem que, segundo cálculos das autoridades sanitárias moçambicanas, deverá chegar aos 35 por cento.
Na região sul do país, apenas a província de Inhambane regista casos de infecção considerados «controláveis», mas tem uma taxa de 27 por cento. A curto-prazo, deverá atingir 35 por cento.A propósito, Luísa Diogo afirmou que a actual situação, que «está assim por razões anómalas e situações exógenas à população moçambicana», força à adopção de uma nova forma de luta contra a doença que mata, anualmente, 16 mil funcionários públicos em Moçambique.
Dos actuais 160 mil trabalhadores afectos ao aparelho de Estado moçambicano, 25 por cento estão infectados pelo vírus da sida e destes 9.600 recebem tratamento com medicamentos anti-retrovirais, disse Luísa Diogo.
Moçambique, com 20,3 milhões de habitantes, é um dos países mais afectados pela sida no mundo.
23 de março de 2009
O papa é ridículo e maléfico
| 23-Mar-2009 | |
Muita tinta correu esta semana sobre as abomináveis declarações do papa Bento XVI acerca do preservativo e da SIDA. França, Bélgica, Espanha e Alemanha criticaram correctamente, estas declarações. Mas há coisas simples que têm de ser ditas. África é o local do mundo onde se localizam 67% dos infectados com o HIV. Só em 2008, quase 2 milhões de Africanos foram infectados de novo. Há países na África sub-sahariana onde a percentagem de infectados ascende aos 45% da população total. Para além da transmissão sexual, a transmissão materno-fetal atinge números elevadíssimos, nascendo, todos os anos, crianças já infectadas. África é um continente devastado pela miséria, onde trabalham várias ONG's, distribuindo preservativos e procurando apoios institucionais no mundo dito desenvolvido para o fornecimento de medicação gratuita para o HIV (em quase todos os casos com sucesso reduzido...). Existem muitos ocidentais que há vários anos fazem campanhas de promoção do uso do preservativo, não só distribuindo-os gratuitamente, como também intervindo na comunidade, explicando os riscos do HIV e de que forma o preservativo o pode evitar. Mas é claro que as condições sociais e políticas em que vivem as populações Africanas desde sempre dificultaram este trabalho e, por isso, a infecção continua a alastrar, a dizimar milhões de vidas e a diminuir a esperança e a qualidade de vida dos jovens e das jovens Africanas. A SIDA em África é hoje um flagelo, uma pandemia, uma realidade aterradora e um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento deste continente. Desde cedo (início da década de 80), com a descoberta do HIV como causa de SIDA, se percebeu que o sexo é a forma mais comum de contágio deste vírus. E foi também muito cedo que a ciência demonstrou a elevada eficácia do uso do preservativo masculino na prevenção da transmissão do HIV. Até hoje, nenhum caso de transmissão foi registado com o uso correcto do preservativo, seja em relação heterossexuais ou homossexuais, seja em sexo vaginal, anal ou oral. Estima-se que hoje, com todas as campanhas de prevenção que foram realizadas em todo o mundo, se tenha impedido uma pandemia global. Na maioria dos países Europeus, com o virar do milénio, a incidência de novas infecções por HIV começou a descer - o uso disseminado do preservativo e as campanhas públicas dirigidas à população começaram a surtir efeito. E é perante estes dados tão simples, que as declarações do papa se resumem ao ridículo de uma fantasia alienígena que toma o inverso do mundo como a sua verdade. Entre afirmar que os preservativos complicam o problema da SIDA em África ou dizer que a queda de um 59º andar para o cimento duro melhora a digestão, não há diferença nenhuma. O papa é ridículo e diz coisas que, aos olhos da realidade, são ridículas e fantasiosas. Mas para além de ridículo o papa tem uma visão maléfica do mundo, pois quando condena uma menina de 9 anos à excomungação por ter sido violada e nada tem a dizer sobre o seu violador... Há algo de errado na ordem de valores deste senhor! Essa é a razão porque escreverei a minha carta de apostasia brevemente, porque não posso estar vinculado a uma religião em que o seu líder máximo convida à violação de menores e à infecção pelo HIV. Convido todos e todas os/as que foram baptizado/as a escreverem a sua carta de apostasia como protesto e envio um link de um modelo desta carta em castelhano: http://ateus.org/docs/ImpresoApostasiaReducidoACCas.pdf |
800 centros contra a sida no continente africano
Os números são de um inquérito promovido em 2006 pela União dos Superiores Maiores (USG, da sigla italiana), que reúne os responsáveis das congregações católicas.
Esta rede envolve três mil padres e freiras, 16 mil voluntários e 15 mil funcionários. Os resultados foram apresentados em Roma, em Maio de 2008, pela missionária comboniana Maria Martinelli. A própria afirmou, na ocasião, que por vezes o preservativo é necessário.
Os dados não incluem projectos desenvolvidos por organizações não-governamentais católicas. A rede católica de combate à sida representa 27 por cento das instituições no mundo, segundo dados do Vaticano.
Nestas instituições, dá-se preferência ao tratamento anti-retroviral, prevenção da transmissão mãe-filho, aconselhamento, informação e erradicação do estigma. "O problema da sida é maior que o preservativo", diz ao PÚBLICO outra missionária que trabalha com o projecto da USG.
Ana Maria Francisco, médica e religiosa da congregação Filhas de África, é uma das responsáveis do Instituto Nacional de Luta Contra a Sida para a província do Huambo (Angola). E fundou uma organização para o apoio a doentes de sida: Otchi Mumga (solidariedade, em umbundo). "Surgiu da necessidade de ajudar as pessoas."
Na polémica sobre o preservativo que esta semana atravessou a viagem do Papa, a irmã Ana Maria desvaloriza. "A Igreja defende a fidelidade e a abstinência", diz. "O meu testemunho é de alertar para a sexualidade responsável. Em último caso, aconselho o preservativo."
De acordo com o inquérito da USG, só em África há mil hospitais, mais de 5000 dispensários e 800 orfanatos ligados a congregações religiosas - muitos deles incluem o acompanhamento de doentes de sida. No continente, estão 70 por cento dos infectados pelo HIV-sida.
Ainda referindo o que se passa em África, a maioria das instituições tem projectos na área da educação e informação (96 por cento dos 800 projectos). Seguem-se a erradicação do estigma (72 por cento), os testes e aconselhamento (48), o tratamento anti-retroviral (39) e a prevenção da transmissão mãe-filho (27) - muitas delas trabalham diferentes áreas.
Maria Martinelli notava, na apresentação do relatório, que uma das dificuldades destas instituições é o reduzido número de laboratórios disponíveis - apenas 16 por cento. A par da pobreza, e da falta de medicamentos e financiamento.
Um dos projectos não incluído no inquérito é o Dream, promovido pela Comunidade de Sant'Egídio desde 2002. Com 31 centros em 10 países africanos, o programa já atingiu cerca de um milhão de pessoas. Em declarações ao PÚBLICO, Steffano Scapparucci, um dos coordenadores do projecto, diz que a prioridade é dar às pessoas as mesmas terapias disponíveis no Ocidente, de modo a reduzir o contágio. "Acreditamos que o melhor tipo de tratamento, dado gratuitamente, é necessário também em África."
Foi com essa ideia que o programa criou 18 laboratórios de biologia molecular - três dos quais em Moçambique. O Dream centra-se muito na prevenção da transmissão mãe-filho, mas actua também noutras áreas - como os 3300 profissionais africanos já formados. Sete mil crianças já nasceram sãs em virtude da prevenção - cada uma custou 400 euros, cada paciente custa anualmente 600 euros.
Também Scapparucci diz que o preservativo não é problema. "Em África, a mulher é muito débil. Com a poliga-
mia, é muito difícil impor o uso do preservativo. Há um problema cultural, em primeiro lugar. O que temos que mostrar é que, com a terapia, é possível ter uma vida com futuro."
Resultado? Centenas de mulheres que beneficiaram do projecto tornaram-se "activistas", dando a cara, formando e sensibilizando outras.
Fonte PUBLICO.PT
30 de janeiro de 2009
MIN. Saúde de Angola estima mais de 200 mil portadores do VIH/Sida em 2008
As Autoridades Sanitárias de Angola estimam que em 2008 cerca 200 mil pessoas eram portadoras do VIH/Sida, soube hoje a Angop, em Luanda.
Segundo o relatório das actividades desenvolvidas pelo Instituto Nacional de Luta Contra a Sida (INLS), estima-se que neste ano,
18 mil crianças e 100 mil mulheres estavam infectadas pelo vírus. Deste número, 13 mil pessoas morreram e 58 mil petizes ficaram
órfãos.
O INLS salienta que de Janeiro a Outubro do mesmo ano foram registados 16 mil 386 testes positivos e destes 7 mil 855
registaram-se em Luanda. Cunene, Cabinda registaram 2 mil 243 e mil 273, respectivamente.
Assim, com a verificação dos 16 mil 386 casos registados, em 2008, “conclui-se que houve um incremento de 4 mil 031 casos”
em relação ao ano de 2007, devido, entre outros, ao acesso à testagem voluntária, aos anti-retrovirais (ATR) e aos programas de
educação.
De acordo com a fonte, de 1985 a Outubro de 2008, o INLS registou um acumulado de 48 mil 043 testes positivos, o que corresponde a cerca de 23,1% de casos de infecção estimados no país.
Por outro lado, a evolução da distribuição do número de novos testes de VHI/Sida informados ao longo do ano de 1985 a Outubro
de 2008 mostra uma tendência de crescimento, particularmente nos últimos seis anos.
Este crescimento, frisou, deve-se, entre outros, as melhorias de diagnósticos da infecção pelo VIH/Sida, aumento de testagens,
como também, a melhoria do sistema de recolha de dados pelo sistema de vigilância epidemiológica.
Luanda - Seminário de formação de formadores em comunicação sobre HIV/Sida encerra hoje
O evento, que decorre na Escola Nacional da Administração, visa a formação de pessoas ligadas às organizações com vista a trabalharem na mudança de comportamento nas comunidades sobre a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, aconselhamento e testagem voluntária, estigma e discriminação das pessoas portadoras do HIV/Sida.
Presidirá o acto de encerramento do fórum, que conta com a participação de trinta activistas provenientes das províncias de Luanda, Huambo, Lunda Sul e Cabinda, a directora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Gita Welch.
Fonte: Angola Press - Saúde
5 de dezembro de 2008
SIDA/África: Por cada pessoa que inicia tratamento, entre quatro a seis contraem o vírus
Por cada pessoa em África com HIV/SIDA que inicia um tratamento anti-viral, outras quatro a seis são infectadas pelo vírus, revela hoje um relatório do Banco Mundial, que anunciou uma nova estratégia para combater a epidemia.
O relatório do Banco Mundial, intitulado “Sida em África: Plano de Acção 2007-2011″, refere que o HIV/SIDA vai continuar a ser um desafio económico, social e humano “sem precedentes num futuro previsível” e lembra que a África subsariana continua a ser “o epicentro global da doença”.
O documento adianta que cerca de 22,5 milhões de africanos são doentes seropositivos e que o HIV/SIDA foi responsável por mais “de 20 por cento das mortes registadas em África em 2000″.
Como resultado desta epidemia, o Banco Mundial estima também que 11,4 milhões de crianças e menores tenham perdido um dos seus pais, destacando que “90 por cento das crianças seropositivas no continente vivem na região da Africa subsariana”.
Estimativas do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Sida (UNAIDS), citadas no estudo, referem ainda que cerca de 2,2 milhões de crianças menores de 15 anos estavam infectadas com o vírus em 2006.
O relatório apela aos países africanos para continuarem a desenvolver “esforços de prevenção para atrasar e inverter a taxa de novas infecções com o vírus”, sublinhando que a doença constitui a “principal causa de morte prematura no continente, especialmente entre jovens e mulheres”.
Dados de 2007 do mesmo Programa indicam que a doença é “predominantemente feminina”, uma vez que 61 por cento das pessoas infectadas são mulheres.
“Mais de 60 por cento das pessoas com HIV em África são mulheres, sendo as jovens do sexo feminino com idades compreendidas entre 15 e 25 anos seis vezes mais susceptíveis de contrair a doença do que os jovens do sexo masculino na mesma faixa etária”, lê-se no documento.
O Banco Mundial lamenta também no seu relatório que apenas “pouco mais de um quarto dos doentes infectados em África que necessitam de tratamento estejam a ser tratados”.
Além da “falta de verbas” e a “sobrecarga dos sistemas nacionais de saúde africanos” - que enfrentam inúmeros desafios sanitários e têm pouca capacidade de resposta - o relatório aponta a estigmatização e discriminação dos doentes como outros dos maiores obstáculos para garantir o acesso destas pessoas ao tratamento.
No relatório, o Banco Mundial - que mobilizou mais de 1.5 mil milhões de dólares para mais de 30 países da Africa Subsariana desde 2000 - afirma que vai mudar o seu “papel inicial de resposta de emergência” como principal financiador de programas HIV/SIDA para uma “nova missão que ajude os países a melhorar a gestão dos recursos para lidar com a doença”.
Nesse sentido, o organismo apresentou na sua estratégia 2007-2011 vários objectivos prioritários como aconselhar os países na gestão complexa do financiamento internacional e reforçar a supervisão e avaliação da capacidade dos países no acompanhamento da eficiência e eficácia dos seus programas HIV/SIDA.
(RTP - 15.05.2008 )
Pfonte: CRIASnotícias
29 de novembro de 2008
O Futuro Perdido de África
Estudos prevêem a condenação da economia daquele continente
África tem 70 por cento dos casos de sida mundiais e mais de dez milhões de órfãos
Os órfãos da sida em África já ultrapassaram os dez milhões. São crianças sem futuro, privadas de tudo, vulneráveis, sem esperança ou qualquer oportunidade, a quem os pais mortos muitas vezes deixam uma única herança: a doença mortal que lhes corre nas veias. É esta a geração perdida de África, um continente em que vive dez por cento da população mundial e ao qual pertence a gorda fatia de 70 por cento dos casos mundiais de sida, isto é, 24 dos 34 milhões de casos declarados em todo o mundo. Só no Quénia a esperança média de vida baixou de 59 anos para 30 nos últimos dez anos. Segundo as Nações Unidas, todos os dias morrem 5500 africanos de sida.
A sida em África afecta as crianças de duas maneiras: a doença mata os pais, deixando-os órfãos, desamparados, à mercê da esmola de outras famílias e das instituições de acolhimento - nos países da África subsaariana mais afectados pelo flagelo da sida (Quénia, Zimbabwe, Botswana, Malawi, Namíbia) o número de órfãos quadruplicou entre 1994 e 1997. Depois afecta-os directamente, infectando-os, só por nascerem ou serem amamentados por mães que já carregam a doença. Em cada 30 crianças africanas nascidas de mães contaminadas estima-se que dez delas nasçam já com o vírus, quatro serão contaminadas pela amamentação e a grande maioria não chegará a festejar o quinto aniversário - 90 por cento das crianças com sida são africanas.
O flagelo de sida é como uma bola de neve em África, que arrasta também a economia de países já de si empobrecidos. Quando a sida ceifa a vida de milhões de africanos na sua idade mais produtiva e deixa os órfãos a engrossar os encargos de famílias alheias que os aceitam, o fardo de despesas torna-se insuportável. E há ainda os insuportáveis encargos com a saúde. Um estudo da Divisão de Investigação em Saúde, Economia e Sida, da Universidade de Natal, em África do Sul, onde uma em cada dez pessoas tem sida, afirma que 50 por cento das camas dos principais hospitais do país estão ocupadas com doentes de sida. O impacto deste quadro nas despesas de saúde é catastrófico, apesar deste ser o país com melhores infra-estruturas para tentar lidar com a epidemia. E todos os dias são registados mais 1700 casos.
Estudos defendem que a África terá em 2010 menos 71 milhões de habitantes do que deveria, devido essencialmente à sida. E o número de órfãos deixados para trás será de 40 milhões. Angelo d'Agostini conta a história de uma mãe que chegou ao orfanato de Nyumbani desesperada a oferecer trabalho a troco de tratamento para a sua filha bebé. Tinham sido despejadas de casa e muitos dos hospitais já não recebem crianças em estado avançado da doença. Não se podem dar ao luxo de gastar dinheiro em doentes condenados, dizem. Com 150 órfãos a seu cargo d'Agostini espera pela autorização para a compra de genéricos: "Estamos próximo da noção de genocídio", defende. A patente dos medicamentos fornecidos pelas multinacionais para a terapia contra a sida está protegida pela lei do Quénia até 2010.
Fonte: Público
24 de outubro de 2008
África do Sul emite alertas contra a Sida via SMS

Um projecto que está a decorrer na África do Sul está a utilizar mensagens de texto para alertar os cidadãos do país para os perigos da Sida. Os alertas já conseguiram fazer aumentar o número de chamadas para as linhas de apoio
A iniciativa denominada Projecto Masiluleke tem enviado cerca de um milhão de SMS por dia, apelando aos receptores para realizarem testes para saberem se estão infectados com o HIV ou para se curarem.
A técnica está a ser utilizada num país onde todos anos morrem cerca de 350 mil pessoas, cuja causa de morte está relacionada com a Sida, e onde os dados oficiais indicam que existem 43 milhões de telemóveis para 49 milhões de pessoas.
Segundo avança a BBC, a linha nacional de apoio aos doentes da Sida registou um aumento de 200 por cento no número de chamadas recebidas desde o lançamento do projecto, o que leva um dos seus responsáveis a prever que «é uma das maiores [iniciativas] de utilização de telemóveis para informação de saúde».
Por enquanto o projecto ainda está em fase de testes, mas a organização prevê lançar o serviço oficialmente no dia 1 de Dezembro, o dia mundial da Sida.
11 de setembro de 2008
QUÉNIA: Trabalhadoras do sexo oferecem esperança para a prevenção ao HIV
favela de Nairóbi
NAIRÓBI, 10 Setembro 2008 (PlusNews) - Um estudo sobre trabalhadoras do sexo quenianas que parecem ser imunes ao HIV poderia fornecer pistas importantes para o desenvolvimento de uma vacina efectiva contra a SIDA.Uma equipa de pesquisadores da Universidade de Manitoba, no Canadá, e da Universidade de Nairóbi, no Quénia, que está a estudar um grupo de trabalhadoras do sexo quenianas há mais de 20 anos, identificou recentemente mais de 15 proteínas em algumas das mulheres que parecem ser indicativos de imunidade natural ao HIV.
Blake Ball, professor de microbiologia da Universidade de Manitoba e um dos principais pesquisadores, afirmou que 140 mulheres num grupo de duas mil trabalhadoras do sexo estabelecido em 1985 permaneceram negativas apesar da recorrente exposição ao vírus, e poderiam fornecer “a melhor possibilidade de identificar correlação com a protecção [contra a infecção por HIV]”.
Num estudo piloto, os pesquisadores examinaram as secreções genitais de 10 das trabalhadoras do sexo que pareciam ser resistentes ao HIV e compararam-nas com as amostras de mulheres seropositivas e seronegativas.
Eles encontraram 15 proteínas presentes em níveis mais altos nas mulheres resistentes ao HIV do que nas outras mulheres, em alguns casos oito vezes mais altos. “Nós achamos que essas proteínas podem ter um papel na protecção dessas mulheres à infecção por HIV”, disse Ball.
As descobertas geraram entusiasmo na área de prevenção ao HIV, especialmente entre os pesquisadores de vacinas que recentemente sofreram diversos contratempos. Em Setembro de 2007, um teste foi interrompido após resultados preliminares mostrarem que não apenas a potencial vacina não protegia as pessoas do vírus, como pode, na verdade, tê-las posto sob maior risco de infecção.
Em Julho de 2008, o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Contagiosas dos EUA (US National Institute of Allergy and Infectious Diseases, em inglês) anunciou que não iria levar adiante um teste com uma vacina envolvendo 8.500 participantes para testar uma candidata com propriedades semelhantes a que falhou no ano anterior.
“Apesar de não serem directamente aplicáveis como modelo de vacina anti-HIV, esses estudos [entre trabalhadoras do sexo quenianos] podem ser informativos”, afirmou Ball. “A aplicação mais directa pode ser em relação ao desenvolvimento de microbicidas, e essas proteínas podem ser candidatas ao desenvolvimento de um microbicida baseado em proteínas humanas.”
Microbicidas incluem uma variedade de produtos controlados por mulheres – incluindo géis, filmes e esponjas – que estão sendo testados para saber se podem ajudar as mulheres a proteger-se do HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis.
Pauline Irungu, coordenadora do Leste da África para a Campanha Global por Microbicidas, uma coalizão de organizações que trabalham para agilizar a pesquisa com microbicidas, descreveu a pesquisa queniana como “animadora”.
“Embora seja um pouco cedo para dizer se esse estudo em particular levará ao desenvolvimento de novos possíveis microbicidas, esses tipos de avanço proporcionam um entendimento melhor dos factores biológicos e sócio-económicos que influenciam na transmissão de HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis”, disse. “É esse tipo de pesquisa básica que nos ajudará a desenvolver novas ferramentas para conter a disseminação de HIV.”
Ball enfatizou que as descobertas ainda eram preliminares e precisariam ser repetidas num grupo maior de mulheres. Pesquisas futuras também serão necessárias para determinar a biologia precisa das proteínas isoladas.

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