24 de novembro de 2009

HIV: Infecções diminuíram 17 por cento em oito anos

Prevenção e acesso a medicamentos produzem resultados
Maior acesso a medicamentos antiretrovirais contribuiu para diminuir o número de mortos por infecções com HIV em 10 por cento nos últimos cinco anos. Nos últimos oito anos, e graças sobretudo à prevenção, o número de novas infecções baixou 17 por cento.
Os novos números foram apresentados pela Organização Mundial de Saúde e pela ONUSIDA (o programa das Nações Unidas para o HIV/sida). Segundo esta organização, há hoje 33,4 milhões de pessoas infectadas com o HIV em todo o mundo.

O número subiu - eram 33 milhões em 2007 - porque há menos pessoas a morrer com HIV.

“Desde o início da epidemia, perto de 60 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV e 25 milhões de pessoas morreram de causas ligadas ao HIV”, indica o relatório anual do organismo da ONU. “A tendência dos últimos oito anos indica uma diminuição de novas infecções de 17 por cento” desde 2001.

“A boa notícia é que temos provas de que as diminuições que observamos se devem, pelo menos em parte, à prevenção”, felicitou-se o director executivo da ONUSida, Michel Sidibé, citado num comunicado.

Na África subsariana, o epicentro da pandemia global, o número de novas infecções desceu cerca de 15 por cento desde 2001, o que equivale a cerca de 400 mil infecções a menos só durante 2008.

A directora da OMS, Margaret Chan, defende que estes números são a prova de que “é tempo de redobrar esforços e salvar muito mais vidas”. “O investimento internacional e nacional no tratamento do HIV produziu resultados concretos e mesuráveis.”

Fonte PÚBLICO .PT

23 de novembro de 2009

Cantora Annie Lennox recebe o prêmio “Mulher da Paz” pela sua luta contra a Sida na África do Sul

A cantora escocesa Annie Lennox foi escolhida na passada quarta-feira, 12 de Novembro, a “Mulher da Paz 2009″ por seu compromisso na luta contra a Sida na África do Sul, ao concluir, em Berlim, a décima cúpula das pessoas premiadas com o Nobel da Paz.

A cantora da dupla Eurythmics, famosa nos anos 80, fundou em 2007 a iniciativa SING, convidando 23 artistas a gravar um álbum, cujos lucros foram destinados à compra de medicamentos, educação e protecção das mulheres e crianças sul-africanas ameaçadas pela Sida.

Annie Lennox, vestida com uma t-shirt com a inscrição “HIV Positivo”, recebeu a estatueta de bronze das mãos do ex-presidente da república sul-africana, Frederik de Klerk, Nobel da Paz em 1993 pelas reformas que acabaram com o apartheid em 1991.

Lennox contou como sua primeira viagem à África do Sul em 2003 lhe abriu os olhos para o problema, principalmente depois de um discurso de Nelson Mandela na ilha-prisão de Robben Island, onde permaneceu detido 26 anos, e qualificou como genocídio a pandemia de Sida em África.

Entre as 15 pessoas que já receberam o Nobel da Paz e que estavam na cúpula, destacaram-se eo chefe histórico do sindicato polonês Solidaridade, Lech Walesa, o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachov, e Muhammad Yunus, fundador de um banco de microcréditos.

AFP – 12.11.2009
Fonte: CRIASnotícias

Sida e sexualidade feminina no centro do Fórum Sexo, Género e Saúde XXI

O Departamento de Antropologia da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) está a promover um concurso de Monografias Universitárias sobre (Homo)Sexualidades.

Em parceria com a Lambda – Associação pela Defesa das Minorias Sexuais, Fundo das Nações Unidas para a População e Pathfinder International, o concurso pretende estimular a reflexão acadêmica sobre o tema, além de propiciar evidências que possam informar as actuais e futuras estratégias de prevenção do HIV voltadas aos homens que fazem sexo com homens em Moçambique.

Para mais informações, acesse o edital do concurso aqui.

A data limite para submissão de candidaturas é 04 de Dezembro do corrente ano.

Fonte: CRIASnotícias

Lusófonos africanos discutem em Maputo saúde do adolescente e do jovem

Representantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) encontram-se, desde 17 de Novembro, reunidos no Kaya Kwanga, em Maputo, para discutir e beneficiarem de capacitação em matérias de saúde e desenvolvimento dos adolescentes e jovens.

O seminário, que termina nesta sexta-feira, 20 de Novembro, foi motivado pelo facto deste grupo – que representam um terço da população africana – ser o que mais contribue para o índice elevado da mortalidade materna, em 30 por cento.

Ademais, 65 por cento dos novos casos de infecção pelo HIV ocorrem também entre os adolescentes e jovens em África, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A ideia é que os representantes destes países discutam e entrem em consenso para um plano de acção conjunto no assunto.

Para tal, estão em análise questões como a recolha de informações estratégicas acerca da saúde do jovem, a melhoria das políticas regentes para este grupo, e o fortalecimento da coordenação e colaboração com outros serviços que atendem os jovens.

Nas apresentações de Moçambique, destaca-se a experiência obtida nos Serviços Amigos dos adolescentes e Jovens (SAAJ), informou a representante do Ministério da Saúde e uma das organizadoras do evento, Natércia Matule.

Além do Ministério da Saúde, o seminário recebe apoio para a sua realização da OMS, do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Pathfinder Internacional.

André Manhice/Agência de Notícias de Resposta ao Sida – 18.11.2009
Fonte: CRIASnotícias

Assim como o presidente da África do Sul, Guebuza deveria vir a público fazer o teste de HIV para servir de exemplo, sugerem activistas

A informação de que o Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, e os ministros do seu Governo virão a público se submeterem ao teste de HIV no 1º de Dezembro, Dia Mundial de Combate ao Sida, foi elogiada por activistas moçambicanos, que sugeriram a mesma atitude do Presidente de Moçambique, Armando Emílio Guebuza.

“Esta medida tomada pelo Governo sul-africano é um bom exemplo que devia ser seguido pelo nosso Governo”, disse o Coordenador Nacional do Movimento de Acesso ao Tratamento em Moçambique, César Mufanequiço.

Para ele, a Sida é vista pela população como uma doença de pobres, mas se o presidente vier a público fazer o teste, essa percepção, por parte da população, será desmitificada.

“As participações políticas não deviam ser apenas nos discursos, mas também em acções concretas como esta”, comentou Mufanequiço.

Joshua Mulondo, da Rede Moçambicana de Organizações contra a SIDA, a MONASO, acredita que o país está a precisar de uma atitude encorajadora como a de Zuma.

“Quem sabe a partir disso as pessoas mudam de comportamento. É necessário que os nossos governantes tomem posição semelhante”, disse.

O representante da Rede Cristã de Moçambique, Octávio Mabunda, defendeu a ideia de Guebuza vir a público fazer o teste de HIV, mas ressaltou que “isso sirva para sensibilizar a sociedade e não apenas para adquirir popularidade.”

O assunto ganhou notoriedade internacional no dia 15 do corrente mês com a publicação de uma reportagem do jornal canadiano Globe and Mail.

De acordo com o texto do jornalista Geoffrey York, que ressalta que o assunto já é destaque na comunicação social sul-africana, a ambiciosa campanha vai envolver médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde que indicarão o teste a todos os pacientes, e as celebridades exortarão a importância da testagem.

“Esta será uma campanha de mobilização massiva”, disse Zuma ao jornal. “Todos os sul-africanos precisam saber o seu estado de seropositividade e ser informados sobre as opções que têm de tratamento”, acrescentou.

As relações históricas entre Moçambique e África do Sul que vão desde o apoio da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) contra o apartheid no país vizinho, passando pelo casamento de Graça Machel com Nelson Mandela, pode agora ter um capítulo importante na luta contra o estigma, caso os presidentes dos dois países venham, realmente, a fazer o teste em público.

Para o Dia Mundial de Combate ao Sida deste ano, Moçambique prepara-se justamente para focar na importância do teste de HIV.

No 1º de Dezembro de 2007, quando o assunto foi o mesmo, Guebuza esteve na Cerimónia Central, onde estavam presente várias unidades de aconselhamento e testagem, mas não fez o teste.

Será desta vez?

Os activistas pela luta contra o HIV e Sida em Moçambique pedem que sim.

Antónia Chagua/Agência de Notícias de Resposta ao Sida – 18.11.2009
Fonte: CRIASnotícias

África do Sul: Presidente Zuma e seus ministros irão fazer o teste de HIV em público no Dia Mundial de Luta contra a Sida

Se há pouco tempo o Governo da África do Sul era criticado por estar a indicar alho e beterraba para o tratamento da Sida, em breve, o país presidido por Jacob Zuma deverá receber elogios internacionais no combate dessa epidemia.

De acordo com o jornal Globe and Mail, do Canadá, Zuma e seus ministros planeiam fazer o teste de HIV em público no próximo Dia Mundial de Luta contra a Sida, 1 de Dezembro.

O teste será parte de uma grande expansão da testagem do HIV na África do Sul, onde segundo as Nações Unidas, 18.1 por cento dos adultos são seropositivos.

O antigo presidente, Thabo Mbeki, tornou-se famoso por questionar o valor dos antiretrovirais e por ter sugerido a possibilidade da Sida não ser causada pelo HIV.

Um estudo recente, dirigido por pesquisadores da Universidade de Harvard, Estados Unidos, revelou que a hostilidade do Governo Mbeki para o tratamento padrão da Sida causou 365 mil mortes prematuras na África do Sul entre 2000 e 2005.

Mbeki sempre se recusou a fazer o teste, apelidando-o de “golpe publicitário”, apesar de evidências mostrarem que o teste pode ajudar a prevenir milhares de óbitos.

A ministra da Saúde do Governo Mbeki, Manto Tshabalala-Msimang, propôs que a Sida fosse tratada com remédios tradicionais africanos como o alho, o sumo de limão e a raiz de beterraba, apesar de saber que milhares de sul-africanos estavam morrendo por falta de acesso aos antiretrovirais.

Tshabalala-Msimang reclamava que os medicamentos eram muito “tóxicos.”

O próprio Zuma havia apresentado ignorância sobre as questões da epidemia durante o seu julgamento por acusações de estupro em 2006, quando ele testemunhou que tinha tomado um banho depois do sexo com uma mulher seropositiva para se proteger do vírus.

Mas agora, segundo o Mail and Globe, o Governo sul-africano está a fazer uma mudança radical contra a epidemia.
Em uma série de discursos nas últimas semanas, Zuma e seu Ministro da Saúde, Aaron Mutsoaledi, instaram para uma batalha urgente contra a Sida.

Eles alertaram que uma rápida escalada da epideia está dizimando o país, matando especialmente cidadãos com menos de 50 anos.

“Onde quer que vá por todo a África do Sul, você ouve pessoas lamentando a frequência com a qual perdem seus familiares e amigos”, afirmou Zuma, acrescentando que,”com essa taxa, existe um perigo real de que o número de mortes supere o número de nascimentos”.

Em uma apresentação do último relatório da Sida, semana passada, o actual Ministro da Saúde culpou o Governo dos últimos 10 anos pelo actual cenário.

“Nossa atitude em relação ao HIV e SIDA nos coloca onde estamos. No passado, nós não estávamos a combater o HIV, mas sim estávamos lutando uns contra os outros”, rematou.

O teste público de Zuma, bem como a nova e ambiciosa campanha geral, deverá ser anunciado no dia 1 de Dezembro.

A ideia é médicos e enfermeiros oferecerem o teste de HIV a todos os seus pacientes, e às celebridades cabe a missão de exortar a importância da testagem.

“Esta será uma campanha de mobilização massiva”, disse Zuma. “Todos os sul-africanos precisam saber o seu estado de seropositividade e ser informados sobre as opções que têm de tratamento”, acrescentou.

Um grupo de activistas da organização Treatment Action Campaign (Campanha de Acção para o Tratamento, em Português), disse que o discurso de Zuma foi um dos mais importantes na história do combate ao HIV e Sida no país.

“Com este discurso apoiado pelo Governo, a luta contra Sida toma outro rumo”, disse um dos membros do grupo.

Jacob Zuma prometeu diminuir a taxa de novas infecções pela metade e fornecer antiretrovirais para 80 por cento das pessoas que deles precisam até 2011.

Globe and Mail – 17.11.2009

Fonte CRIASnotícias

22 de novembro de 2009

Saúde Vacina contra gripe A encomendada por Portugal divide autoridades suíças

A vacina contra a gripe A encomendada por Portugal continua a gerar algumas dúvidas lá fora. Na Suíça, por exemplo, a autoridade do medicamento insiste em não administrar a Pandemrix a pessoas com menos de 18 anos e a mulheres grávidas. Contudo, o organismo responsável por questões de saúde pública, à semelhança da agência europeia do medicamento, já reiterou a segurança da vacina da farmacêutica GlaxoSmithKline a partir dos seis meses de idade.

“A autoridade suíça do medicamento continua a não autorizar a utilização da Pandemrix nas crianças com menos de 18 anos”, explicou hoje à AFP o vice-director da Swissmedic, o organismo do país equivalente ao Infarmed em Portugal. Da mesma forma, Hans-Beat Jenny informou que a vacina pandémica deste laboratório britânico continua também interdita a mulheres grávidas.

Em causa está o adjuvante que é administrado juntamente com a vacina e que visa potenciar o seu efeito. A Pandemrix não foi aprovada pelos Estados Unidos devido à presença do adjuvante esqualeno na sua composição, que alegadamente poderia causar danos à saúde dos que a tomam. Mas o Infarmed já esclareceu que o esqualeno tem sido utilizado em várias vacinas e é, aliás, uma substância que está naturalmente presente no organismo.

Mas, mesmo dentro da Suíça, esta decisão não gera consenso. O organismo de saúde pública que depende do Ministério do Interior desde a semana passada que recomenda que a vacina britânica seja administrada a partir dos seis meses de idade. “A vacina Pandemrix é preferencialmente recomendada, a partir dos seis meses, pois permite obter em todas as idade uma protecção muito boa com uma só dose (salvo para os indivíduos imunodeprimidos)”, explicou o organismo, citado pela AFP. Uma diferença de opiniões que está a comprometer a campanha de vacinação no país, lançada em meados de Novembro, e que está a decorrer de forma “lenta” e “confusa”.

Recorde-se que na sexta-feira a autoridade europeia do medicamento (EMEA) comunicou que basta uma dose de vacina, se a pessoa não for imunodeprimida, para que a vacina contra a gripe A seja eficaz, o que permite que Portugal imunize cerca de seis milhões de pessoas. De um total de 152 mil doses disponíveis para hospitais e centro de saúde, cerca de 50 mil já foram administrados nos centros de saúde.

Num comunicado, a agência referiu que os dados das várias vacinas foram revistos e reafirma a segurança e eficácia dos três produtos no mercado europeu (Celvapan, Focetria e Pandemrix, esta última a escolhida para Portugal). Segundo explicam, no caso da Focetria e da Pandemrix uma única dose é capaz de garantir a resposta imunitária suficiente para proteger o organismo do vírus H1N1 em alguns grupos etários. No caso do produto disponível em Portugal, bastará uma dose para as crianças a partir dos dez anos, adolescentes e para os adultos (incluindo os idosos). Doentes crónicos e crianças com idade inferior aos dez anos deverão receber duas doses.

Efeitos secundários são os esperados

Também na sexta-feira, a EMEA informou que as pessoas que já foram vacinadas na União Europeia permitiram comprovar que as vacinas pandémicas não estão a provocar efeitos secundários além dos que eram esperados: febre, náuseas, dores de cabeça, reacções alérgicas e reacções no local da injecção. "Um muito reduzido número de casos da Síndrome Guillain-Barré e de morte fetal foi reportada em doentes que foram previamente vacinadas", acrescenta o comunicado, concluindo que está a ser reunida a informação mas que, com base no que se sabe, não existe evidência de uma ligação destes casos à vacina.

Por seu lado, na quinta-feira, a Organização Mundial de Saúde informou que reuniu informação de 16 dos 40 países onde estão a decorrer as campanhas de vacinação contra a gripe A e reafirmou que os 80 milhões de doses administradas comprovaram que os efeitos adversos são "raros" e estão dentro do previsto. Por isso, a OMS insiste que a vacina é tão segura como a sazonal e muito importante para prevenir os efeitos da pandemia nos principais grupos de risco - como grávidas e crianças. A organização assegura, ainda, que não houve nenhuma morte que se possa atribuir à vacina.

Fonte PÚBLICO.PT

16 de novembro de 2009

Moçambique: Sociedade Civil divulga manifesto entregue ao CNCS com recomendações para o PEN III

Com o objectivo de fazer cumprir as suas recomendações, a Sociedade Civil moçambicana está a divulgar o manifesto entregue recentemente ao Conselho Nacional de Combate ao HIV e Sida referente ao que deve ser levado a cabo no Terceiro Plano Estratégico de Luta contra o HIV e Sida, o PEN III, que entra em vigor em 2010, com validade de quatro anos.

Os realizadores do manifesto levaram em conta os principais factores para a propagação da epidemia no país, como as parcerias múltiplas e concomitantes, baixos índices de circuncisão masculina e do uso do preservativo, grandes mobilidades e migrações, desigualdades de género e estigma.

Eles também utilizaram como base alguns compromissos internacionais assumidos por Moçambique, como a Declaração de Compromisso sobre o HIV e SIDA, o UNGASS (2001); a Declaração de Abuja (2001) que aponta alternativas concretas para os Governo africanos face ao HIV; e a Declaração de Gaberone sobre o acesso Universal à Prevenção, Tratamento, Cuidados e Apoios.

O Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Sida (ONUSIDA) apoiou tecnicamente na elaboração desse manifesto, promovendo workshops de formação nos seguintes temas: Conheça a epidemia – Conheça a Resposta; Advocacia e Lobby para a Integração do Género no PEN III; Participação em advocacia na elaboração do PEN III; e Manifestos.

A Coordenadora da Agenda para o envolvimento da Sociedade Civil na elaboração do PEN III, Ana Amorim, disse que “a ideia é garantir que o manifesto seja de conhecimento de todos.”

Quando o documento foi entregue ao CNCS, no dia 26 de Novembro, o representante da Sociedade Civil Rui Maquene ressaltou que se trata de um “reflexo dos conhecimentos técnicos do dia-a-dia no combate do HIV e da Sida.”

Linda Chongo, também representante da Sociedade Civil, disse que o manifesto deve ser levado em conta, não só pelo esforço empreendido, mas pelo impacto que terá nas pessoas infectadas e afectadas pela Sida.

Para uma população de aproximadamente 21 milhões, Moçambique regista cerca de 1.6 milhão de pessoas vivendo com HIV e Sida.

O manifesto é acompanhado por outros documentos de redes e organizações que tratam de assuntos mais específicas na resposta da epidemia, nomeadamente a questão da deficiência, das minorias sexuais e da terceira idade.

Confira abaixo quais foram as recomendações específicas da Sociedade Civil nas três áreas-chave: Prevenção; Tratamento e Cuidados; e Mitigação.

Prevenção

a) Estimular acções que tenham em conta as dinâmicas de género e a vulnerabilidade nas comunidades, as relações inter-gerações e as parcerias múltiplas e concomitantes, envolvendo a sociedade civil e utilizando abordagens culturais adequadas;

b) Fortalecer as campanhas de sensibilização contra práticas culturais de alto risco de infecção de HIV;

c) Mobilisar todos os intervenientes para adopção de mensagens corretas e adequadas sobre prevenção de HIV;

d) Garantir o acesso aos serviços de prevenção, cuidados e tratamento do HIV e SIDA como Direito Humano e aspecto transversal;

e) Promover acções para maior envolvimento dos homens na resposta particularmente na Prevenção da Transmissão Vertical;

f) Promover a integração da perspectiva de género no processo de planificação: para garantir o respeito pelos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e protecção contra o casamento precoce, pedofilia e o abuso de menores;

g) Promover uma maior distribuição do preservativo feminino e outros métodos de prevenção para as mulheres;

h) Fortalecer os mecanismos de coordenação entre a sociedade civil e o CNCS;

i) Promover e estimular parcerias entre instituições de investigação, cientistas sociais e sociedade civil;

j) Incentivar programas de pesquisa operacional (a título de exemplo, estudos que ajudam a perceber e indicam alternativas para criação de mensagens com linguagem apropriada para pessoas com deficiência visual, auditiva e outros, linguagem apropriada para crianças, idosos, entre outros) como forma de orientar as acções de resposta baseadas nas evidências;

k) Garantir a produção e disseminação de material de Informação, Educação e Comunicação inclusivo e direccionado tendo em conta as especificidades de cada segmento social e áreas geográficas. (ex. pessoas com deficiência, minorias sexuais, idosos, pessoas que não sabem ler e nem escrever “iletrados”, para zonas rurais e urbanas);

l) Assegurar a descentralização financeira até ao distrito e rever os mecanismos de financiamento (para contornar a demora e complexidade dos processos de desembolso, bem como de aprovação de projectos prioritários);

m) Garantir uma efectiva coordenação entre o Ministério da Sáude, Instituto Nacional de Estatistíca e CNCS na recolha e análise de dados, monitoria e avaliação;

Tratamento

a) Garantir a criação de uma base de dados desagregada por idade e género, consistente e actualizada sobre Pessoas em TARV que permitirá uma fácil localização de casos perdidos, abandonos, e monitoria e avaliação;

b) Promover o acesso universal, literacia sobre o tratamento e maior referência aos grupos de apoio psico-social;

c) Introduzir unidades móveis para o tratamento anti-retroviral: o que permitirá o acesso de mais pacientes ao tratamento e a redução de abandonos e casos perdidos;

d) Promover o seguimento rigoroso ao protocolo da OMS quanto a testagem do HIV: teste de CD4 de 3 em 3 meses e teste de carga viral de 6 em 6 meses. No sentido de evitarem-se efeitos colaterais (intoxicação e overdose de pacientes por tomarem muitas vezes os antiretrovirais por longos períodos sem análises periódicas);

e) Promover a formação intensiva do pessoal médico e paramédicos para tratamento do SIDA e;

f) Garantir a existência de um código de conduta ética para o pessoal de saúde visando a protecção da privacidade e dos direitos das pessoas vivendo com o HIV;

Cuidados

g) Reforçar a coordenação entre Unidades Sanitárias e os actores da Sociedade Civil na Busca activa das PVHS em TARV para evitar desistências;

h) Garantir a provisão de kits para os cuidados domiciliários e reforçar a protecção, aos provedores de serviços de assistência do HIV e SIDA;

i) Garantir a continuidade da provisão de serviços as PVHS em TARV em situações de emergência;

j) Promover acções de monitoria da distribuição mensal da cesta básica às PVHS;

k) Promover o envolvimento dos homens nos programas de cuidados domiciliários.

Mitigação

a) Fortificar os programas de redução de vulnerabilidade para grupos vulneráveis como crianças órfãs, mulheres, idosos, pessoas com deficiência, trabalhadores de sexo, minorias sexuais, jovens, PVHS;

b) Promover e garantir educação nutricional e actividades de geração de renda para pessoas vivendo com HIV;

c) Promover a capacitação dos Midias (comunicação radiofónica, televisiva e escrita) sobre o HIV e SIDA de modo que estes possam dar seu contributo em acções efectivas de mitigação das consequências tendo como premissas: Valorização das línguas nacionais e do contexto em que as questões são abordadas; Elaboração de mensagens inclusivas na abordagem de HIV e SIDA no âmbito de mitigação das consequências; Redução das barreiras linguísticas que podem distorcer as mensagens difundidas ao grupo alvo;

d) Estender os serviços de aconselhamento, educação, atendimento e apoio psicossocial à família e comunidade: incluindo questões da terceira idade bem como o envolvimento dos homens na provisão de cuidados.

Agência de Notícias de Resposta ao SIDA – 16.11.2009
Fonte CRIASnotícias

ONU lança campanha “Igual a você” contra o estigma e o preconceito a pessoas com HIV/aids e outros públicos

pessoas com HIV/aids e outros públicos
16/11/2009 - 10h30

Igualdade de direitos e um chamamento à sociedade brasileira para o tema das discriminações que homens, mulheres e crianças vivem diariamente no Brasil, incluindo as pessoas com HIV/aids. Esses são os objetivos da campanha ‘Igual a Você’, lançada nesta segunda-feira (16/11) às 10h no Palácio do Itamaraty - Rio de Janeiro, pelas Nações Unidas e sociedade civil.

O repórter da Agência de Notícias da Aids Rodrigo Vasconcellos está acompanhando a abertura da campanha e trará mais informações. Enquanto isso, clique aqui para conhecer os vídeos que serão disponibilizados para veiculação nas TVs de todo o país e obter mais informações sobre a ação.

Redação da Agência de Notícias da Aids

20 de outubro de 2009

Portugal tem má nota na prevenção da sida

As estratégias de prevenção da sida e os cuidados com as pessoas infectadas pelo vírus HIV têm de melhorar em Portugal, segundo um relatório ontem, terça-feira, divulgado em Bruxelas pela organização não-governamental Health Consumer Powerhouse (HCP).

O Euro HIV Índex (EHIVI) coloca Portugal em 22.º lugar, num total de 29 países, sendo um dos países com maior incidência de doentes infectados com o vírus. Segundo o relatório, Portugal tem um total de 658 pontos em mil, sendo o ranking liderado pelo Luxemburgo (857 pontos), seguido de Malta (791) e Suíça (775). No final da tabela, em 29.º lugar, estão Roménia (548 pontos), Grécia (597) e Itália (614).

O Euro HIV Índex (EHIVI) está dividido em quatro secções, num total de 28 indicadores, que vão da discriminação dos portadores do vírus à carga viral detectada nos doentes. "Portugal tem que melhorar e coordenar esforços contra o HIV", diz a responsável pelo EHIVI, Beatriz Cebolla, salientando que a taxa de infecção entre os toxicodependentes "é ainda muito alta", apesar de haver bons programas de apoio a este grupo. Segundo o relatório, há "demasiados doentes que começam o tratamento muito tarde".

Um dos itens em que Portugal tem boa cotação é no acesso aos cuidados de saúde pelos imigrantes, bem como no funcionamento de organizações de apoio a doentes com HIV/sida. A despistagem do vírus nas grávidas e os programas de prevenção da propagação nas prisões são outros indicadores em que surge com nota de "bom". A criminalização da propagação da doença e a disponibilização rápida de testes merecem nota "intermédia".

Fonte: Jornal de Notícias on-line

Gripe A: Vacina provoca falsos-positivos de doenças como a Sida e Hepatite C

A vacina contra o vírus H1N1 provoca falsos-positivos para doenças como o vírus VIH (Sida) ou Hepatite C caso o utente faça um teste de despistagem nos três meses a seguir à vacinação revelou a edição on-line do semanário 'Expresso'.

A Direcção-Geral de Saúde está a alertar a comunidade médica para estes dados, no entanto, alertam que a possibilidade é rara e aconselham os utentes a realizar exames de confirmação.

Existe também a possibilidade da vacina Pandermix provocar dor, febre e fadiga.

Recorde-se que de acordo com as previsões do Ministério da Saúde, a vacina da gripe A vai começar a ser administrada aos grupos prioritários - médicos, enfermeiros, técnicos de Saúde, grávidas no segundo e terceiro trimestre de gestação, crianças até aos 5 anos, doentes crónicos - a partir do dia 26 deste mês.

Fonte: Correio da manhã

25 de setembro de 2009

Teste de vacina da sida reduziu pela primeira vez risco de infecção

Uma vacina experimental para a sida reduziu pela primeira vez o risco de infecção, disseram hoje investigadores na Tailândia. “É a primeira vez no mundo que se encontra uma vacina que pode prevenir a infecção do HIV”, disse o ministro da Saúde tailandês, Withaya Kaewparadai. Mas a sua aplicação pode ser limitada e uma vacina comercial vai demorar algum tempo, escreve a Reuters, citando investigadores.

A vacina foi testada em 16 mil pessoas na Tailândia
A vacina – que junta duas vacinas antes experimentadas – foi administrada a 16 mil pessoas naquele país: todos voluntários seronegativos com idades entre os 18 e os 30 anos e uma exposição ao risco de contaminação considerada semelhante à média das pessoas.

Foi o maior teste do género alguma vez realizado para prevenir a contaminação pelo vírus que provoca a sida, o HIV. Investigadores descobriram que a vacina reduziu em cerca de um terço o risco de contracção do vírus.

O teste foi conduzido pelo ministério da Saúde da Tailândia e o exército norte-americano, e financiado pelos Estados Unidos.

Já numa reacção esta manhã em Paris, o laboratório Sanofi-Pasteur, divisão de vacinas do grupo Sanofi-Aventis, considerou que os testes da vacina representavam uma “primeira demonstração” de que uma vacina contra a sida podia “tornar-se realidade”. “Apesar de modesta, a redução do risco de infecção pelo HIV é estatisticamente significativa”, comentou à AFP Michel DeWilde, vice-presidente para a investigação e desenvolvimento no Sanofi-Pasteur.

Duas agências das Nações Unidas, a Organização Mundial de Saúde e a ONUSIDA, disseram que este desenvolvimento dá “nova esperança” no combate à doença, notando também que é preciso mais trabalho.

“Não antecipamos que uma vacina comercial seja disponibilizada durante algum tempo, mas foram finalmente elevadas as possibilidades de uma vacina eficaz” depois de 30 anos, disse à Reuters Michael Leacock, analista da ABN AMRO.

Fonte Público.pt

Dez por cento dos portugueses faz testes HIV/Sida

Todos os anos dez por cento da população portuguesa faz testes de HIV/Sida, afirmou hoje o coordenador nacional para a infecção, Henrique Barros, acrescentando que Portugal é um dos países onde se fazem mais testes.

Henrique Barros diz que Portugal é um dos países onde se fazem mais testes de HIV/Sida.

Num debate em Lisboa promovido pelo Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de HIV/Sida (GAT), Henrique Barros defendeu que é necessário “mecanismos de observação para saber a dimensão do problema da discriminação” dos infectados com a doença.

Henrique Barros manifestou dúvidas se medidas legislativas serão a melhor maneira de combater a discriminação, afirmando que “um ambiente securista dá sempre maus resultados”.

Para o debate foram convidados deputados de todos os partidos com assento parlamentar e o secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, mas motivos de agenda ditaram que só o PCP e o Bloco de Esquerda enviassem representantes.

Ambos os representantes defenderam a necessidade de legislar contra a discriminação.

Por seu turno, Carlos Poiares, docente da Universidade Lusófona na área da psicologia forense da exclusão, afirmou que, “mais do que combater a exclusão, importante é promover a inclusão, o que não é a mesma coisa”.

Carlos Poiares defendeu que é necessária uma mudança “da cidadania em relação ao VIH”, afirmando que já foram dados alguns passos, como a mudança da mentalidade “só acontece aos outros”.

Acrescentou ainda que o “abalar das crenças” que conduzem à exclusão dos infectados deve começar “de forma precoce”.

Fonte Público.pt

3 de setembro de 2009

OMS - Vírus da GRIPE A(H1N1)v e a infecção do VIH/SIDA

Tendo em conta o potencial impacto e da infecção emergente provocada pelo novo vírus da gripe A(H1N1)v, os programas e serviços na área do VIH/SIDA devem estar atentos aos riscos associados e dispor de planos de prevenção e tratamento adequados à situação.

Não existe qualquer informação documentada sobre interacções clínicas entre o VIH e o novo vírus da gripe A(H1N1)v, cuja transmissão, período de incubação e manifestações clínicas têm sido, de um modo geral, idênticos aos dos vírus da gripe sazonal. Existe informação insuficiente sobre complicações, no entanto estas parecem ser semelhantes às da gripe sazonal. Grupos populacionais onde existe um risco acrescido de complicações decorrentes da gripe A(H1N1)v estão a ser objecto de investigação.

Estes grupos com risco acrescido de desenvolverem complicações decorrentes da gripe sazonal incluem indivíduos portadores de doenças com imunodeficiência, nomeadamente a infecção por VIH. A letalidade por gripe sazonal é maior entre os indivíduos infectados por VIH comparativamente com a população em geral. Os estudos têm revelado um risco acrescido durante a gripe sazonal de hospitalizações em indivíduos infectados com VIH, devido a complicações do foro cardíaco e pulmonar.

Outros estudos têm revelado que os sintomas da gripe podem ter maior duração nestes doentes. Assim, as pessoas infectadas por VIH devem ser consideradas como uma população de alto risco e prioritária, em termos das estratégias preventivas e terapêuticas contra a gripe, incluindo a infecção emergente causada pelo novo vírus da gripe A(H1N1)v.

Os vírus da gripe A(H1N1)v obtidos no México e nos Estados Unidos são sensíveis ao seltamivir e ao zanamivir, mas não são à amantadina e à ramantadina. Os doentes que apresentam maior risco de complicações decorrentes da gripe, devem incluir-se entre os prioritários para o tratamento antiviral com oseltamivir ou zanamivir, que encurta a duração da doença e diminui a sua gravidade na gripe sazonal. Para a gripe sazonal, o benefício máximo é atingido quando os agentes antivirais são administrados nas primeiras 48 h após o início dos sintomas, mas o benefício referente à redução da mortalidade e à duração da hospitalização pode ainda resultar se a terapêutica for administrada posteriormente. A duração habitual do tratamento da gripe sazonal é de 5 dias, sendo as doses do medicamento ajustadas em função do peso. Os anti-inflamatórios não-esteroides e outras terapêuticas sintomáticas reduzem o desconforto, mas o ácido acetilsalicílico deve ser evitado em crianças e grávidas, devido ao risco de síndroma de Reye. As interacções medicamentosas entre agentes antiretrovirais e o oseltamivir ou o zanamivir não foram ainda descritas até à data.

Não existe actualmente uma vacina específica contra a gripe A(H1N1)v mas existe a recomendação para a vacinação anual contra a gripe sazonal em indivíduos coinfectados por VIH com a vacina inactivada trivalente, independentemente do número de células CD4, embora os indivíduos em estadio avançado da doença possam não apresentar uma resposta imunitária adequada. Deve ser evitado o uso de vacinas vivas atenuadas contra a gripe. As contra indicações ao uso da vacina inactivada contra a gripe em indivíduos portadores da infecção por VIH são as mesmas que para os indivíduos não infectados.

Se existirem antivirais em quantidade suficiente, os indivíduos infectados por VIH devem ser considerados para profilaxia pós-exposição com oseltamivir ou zanamivir, devendo continuar essa profilaxia durante 10 dias após a última exposição conhecida a um doente com sintomas de gripe ou caso confirmado. A profilaxia pós-exposição é recomendada nos indivíduos infectados por VIH, que sejam contactos próximos de doentes com a gripe A(H1N1)v.

Embora não exista actualmente informação que possa prever o impacto duma pandemia humana da gripe sobre as populações infectadas por VIH, as interacções entre o VIH/SIDA e a gripe A(H1N1)v podem ser significativas. Os planos de preparação para a gripe, em todos os países, devem contemplar as necessidades dos indivíduos infectados por VIH e, os planos de luta contra o VIH/SIDA, em particular nos países com elevada prevalência, devem ter em consideração as acções de saúde pública exigidas perante uma pandemia da gripe.


Nota: * Disponível no microsite da gripe (orientações técnicas OT 7) no site da DGS:
www.dgs.pt.

Fonte: Organização Mundial de Saúde
Direcção-Geral da Saúde
Lisboa, 18 de Junho de 2009

30 de agosto de 2009

Gripe A: Seropositivos estão a ser aconselhados, maior preocupação é com quem não sabe que tem HIV

Os doentes com HIV há meses que estão a receber informações sobre os riscos da gripe A para a sua condição, mas a grande preocupação dos profissionais de saúde diz respeito aos seropositivos que desconhecem estar infectados.

Segundo o coordenador nacional para a infecção HIV/sida, os doentes seropositivos estão, há cerca de dois meses, a receber informação sobre a gripe A e os cuidados que devem ter para evitar contágios com um vírus H1N1, que pode agravar a sua doença.

Em declarações à agência Lusa, Henrique Barros pormenorizou que estas informações estão a ser dadas aos doentes nos hospitais em que os mesmos são seguidos.

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28 de agosto de 2009

Brasil: aprova doação de 5,2 ME para combate à Sida em Moçambique

A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou terça-feira um projecto que autoriza o Ministério da Saúde a doar 13,6 milhões de reais (5,2 milhões de euros) para o combate à Sida em Moçambique.

Os recursos serão utilizados na primeira fase de construção de uma fábrica de antirretrovirais e de outros medicamentos de combate à doença, em Maputo.

Após a aprovação da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, o projecto será agora encaminhado para o Senado.

O Governo brasileiro salientou que a doação tem caráter humanitário, já que 300 mil moçambicanos precisam de tratamento contra a sida, doença responsável pela infecção diária de cerca de 500 pessoas, em Moçambique.

O relator da proposta, deputado Sandro Mabel, apresentou parecer favorável à doação dos recursos, durante a votação na Câmara, mas incluiu uma ressalva.

"O instrumento a ser firmado entre os dois países para a formalização da doação deverá estabelecer a cláusula de reversão em favor do Brasil se Moçambique deixar de atender à finalidade prevista", defendeu.

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Sida: Descoberto novo gel capaz de bloquear vírus

Investigadores norte-americanos desenvolveram um novo tipo de «preservativo molecular» capaz de proteger as mulheres contra o vírus da sida em África e noutras regiões pobres do mundo, segundo um estudo hoje divulgado.

Trata-se de um gel vaginal que se torna semi-sólido em contacto com o sémen, funcionando como uma armadilha que absorve os vírus numa malha microscópica e os impede de infectar as células vaginais.

«O primeiro passo no complicado processo da infecção da mulher pelo HIV (vírus da imunodeficiência humana) é a passagem do vírus do sémen para o tecido vaginal. Queremos parar esse primeiro passo», afirmou Patrick Kiser, professor de bio-engenharia na faculdade de Engenharia da Universidade de Utah.

O novo gel permite às mulheres proteger-se contra o HIV sem o consentimento dos parceiros. Para o investigador, «isso é importante, particularmente em áreas do mundo desprovidas de recursos, como a África subsahariana e o sul da Ásia, onde em algumas faixas etárias o número de mulheres infectadas chega aos 60 por cento».

Nessas zonas, devido a factores culturais e socio-económicos, as mulheres não podem impor aos parceiros o uso do preservativo, assinalou.

O estudo, que descreve o gel e a forma como funciona, será publicado esta semana na revista norte-americna Advanced Functional Materials.

Segundo Kiser, principal autor do trabalho, os testes do gel em humanos vão começar dentro de três a cinco anos, podendo chegar ao mercado vários anos depois.

A ideia dos investigadores é incorporar no gel um antiviral para que ao mesmo tempo bloqueie o movimento do vírus e o impeça de se replicar, podendo vir também a ser usado como protecção contra o vírus do herpes e o do papiloma humano, causador do cancro do colo do útero.

A equipa de Kiser está a desenvolver microbicidas para prevenir a sida graças a uma bolsa de 100 mil dólares da Fundação Bill e Melinda Gates.

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6 de agosto de 2009

Genoma do HIV é sequenciado

Divulgação Científica
Genoma do HIV é sequenciado
Cientistas sequenciam estrutura de um genoma completo do vírus HIV.
Estudo indica que a estrutura do RNA do vírus pode ter um papel maior do que se imaginava na expressão do código genético (Foto: Nature)


– A estrutura de um genoma completo do vírus HIV-1, causador da Aids, foi sequenciada pela primeira vez por pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte (UNC) em Chapel Hill, nos Estados Unidos.

Os resultados, segundo os cientistas responsáveis pelo feito, terão grande impacto no entendimento das estratégias utilizadas pelos vírus para infectar humanos. O estudo traz novas informações sobre a relação regulatória entre a estrutura e função do RNA e o vírus.

O estudo, que ganhou a capa da edição desta quinta-feira (6/8) da revista Nature, também abre as portas para futuras pesquisas que possam acelerar o desenvolvimento de medicamentos antivirais.

Como já era esperado, a composição dos nucleotídeos influencia a produção de proteínas, mas o estudo também mostrou que a translação e a capacidade de se dobrar também são influenciadas por esses elementos estruturais do RNA.

A exemplo dos vírus que causam gripe, hepatite C e poliomielite, o HIV carrega sua informação genética em uma fita única de RNA, em vez da fita dupla (em hélice) do DNA. A informação codificada em DNA corresponde quase que inteiramente à sequência de seus componentes elementares – os nucleotídeos. Mas a informação codificada em RNA é mais complexa: o RNA é capaz de se dobrar em intrincados padrões e estruturas tridimensionais.

De acordo com Kevin Weeks – professor de química da Faculdade de Artes e Ciências da UNC, que conduziu o estudo –, antes desse novo trabalho pesquisadores haviam modelado apenas pequenas regiões do RNA do HIV, que é muito grande, composto por duas linhagens de quase 10 mil nucleotídeos cada.

Joseph Watts, pós-doutorando da área de química do Centro de Câncer Lineberger da UNC, e Weeks, que também atua nesse centro, utilizaram uma tecnologia desenvolvida em seu laboratório – o sistema de alto desempenho de análise de RNA conhecido como Shape – para estudar a arquitetura dos genomas do HIV isolados a partir de culturas contendo trilhões de partículas virais que foram cultivadas por Robert Gorelick e Julian Bess, do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos.

Em seguida, eles passaram a trabalhar em conjunto com pesquisadores da Faculdade e da Escola de Medicina da UNC em uma análise mais aprofundada. O grupo descobriu que as estruturas do RNA têm influência em várias etapas do ciclo infeccioso do HIV.

“Existem tantas estruturas do genoma RNA do HIV que temos quase certeza de que elas desempenham um papel até agora subestimado na expressão do código genético”, disse Weeks.

Os cientistas apontam que o estudo dá uma contribuição importante para que pesquisas futuras possam desvendar papéis do genoma de RNA no ciclo de vida desses vírus.

“Uma abordagem possível consistirá em alterar a sequência do RNA e ver se o vírus percebe essa mudança. Se o vírus não crescer tão bem ao ser alterado com mutações, então saberemos que mexemos em algo que era importante para ele”, disse Ron Swanstrom, professor de Microbiologia e Imunologia no Centro de Câncer Lineberger, outro autor do estudo.

“Também estamos começando a compreender os truques utilizados pelo genoma para ajudar o vírus a escapar da detecção pelo hospedeiro humano”, acrescentou Weeks.

O artigo Architecture and secondary structure of na entire HIV-1 RNA genome, de Kevin Weeks e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.

19 de julho de 2009

Portugal verão 2009 -Combate à sida vai até às praias

Unidade móvel percorre destinos turísticos até Setembro.

Uma unidade móvel de rastreio da infecção VIH/sida vai percorrer por etapas e até Setembro alguns destinos balneares de maior afluência nocturna na região. Esta semana faz uma paragem prolongada na Concentração Internacional de Motos de Faro, que começa amanhã.

A campanha deste Verão é intitulada ‘Combinações Perfeitas – Use Sempre Protecção Contra a Sida’. É uma iniciativa da Administração Regional de Saúde do Algarve, em colaboração com a Associação para o Planeamento da Família e o Instituto de Prevenção da Droga e Toxicodependência. Rui Lourenço, presidente da ARS-A, explicou ao CM que a campanha está activa todo o ano, mas que se intensifica no Verão. "Nesta altura há mais gente e as pessoas estão mais predispostas a contactos sexuais", justifica.

Além de informação nas recepções dos parques de campismo e de anúncios nos intervalos das projecções de filmes em cinemas da região, a campanha estará também presente em eventos como a concentração motard, a Feira do Livro de Faro (14 de Agosto) e o torneio de futebol do Guadiana.

Nas paragens em zonas de diversão nocturna como Praia da Rocha, Armação de Pêra, Albufeira, Quarteira, Olhão e Faro os interessados podem fazer um teste anónimo.

Sabem o resultado em 15 minutos. São aconselhados e recebem preservativos.

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V conferência internacional sobre VIH/Sida inicia hoje

iniciada hoje na África do Sul.

Cape Town (Do enviado especial) - A V conferência internacional sobre VIH/Sida inicia hoje, domingo, em Cape Town, África do sul, com a presença de mais de cinco mil delegados provenientes de todo mundo.


Diversas comunicações de especialistas e activistas vão dominar as sessões de trabalho da V conferência internacional sobre Patogeneses, Tratamento e Prevenção do VIH/Sida.


Durante quatro dias, serão feitas dissertações sobre "Pode o estabelecimento e persistência do VIH ser controlada", "Cientistas como activistas", "Terapia anti-retroviral altamente activa como prevenção" e "prevenção da passagem da mãe para o filho".


"Inflamação e VIH: Um Novo Paradigma", "financiamento a longo prazo, resposta ao VIH", "Novos Avanços e Desafios em curso no tratamento e prevenção do VIH” e “ Biomédicas prevenção e tratamento intervenções - O papel fundamental das Ciências Sociais, Direito e Direitos Humanos", são outros temas a serem abordados na conferência, que termina no dia 22.


Angola participa com uma representação de diversas ONG que trabalham na prevenção e combate ao VIH e técnicos ligados ao Ministério angolano da saúde.

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Se correu alguma situação de risco

Quanto mais cedo for detectada a infecção mais eficaz será o tratamento e mais anos de vida terá.